sexta-feira, 6 de julho de 2007

Canção de embalar.

Que lindos ojitos que tengo yo,
que lindos y negritos que Dios me dio,

Que linda boquita que tengo yo,
que linda y rojita que Dios me dio,

Que lindas manitas que tengo yo,
que lindas y blanquitas que Dios me dio,

Que lindas paticas que tengo yo,
que lindas y gorditas que Dios me dio.


[Loin do 16ème, de Paris, je t'aime

terça-feira, 3 de julho de 2007


Como és bela e graciosa
ó meu amor, ó minhas delícias!
Teu porte assemelha-se ao da palmeira,
de que teus dois seios são cachos
"vou subir na palmeira, disse eu comigo mesmo,
e colherei os seus frutos".
sejam-me os teus seios
como cachos da vinha.
E o perfume de tua boca como o odor das maçãs;
teus beijos são como vinho delicioso
que corre para o bem-amado,
umedecendo-lhe os lábios na hora do sono.


[Cântico dos canticos : 7, 7-10 Sagrada Bíblia.

quinta-feira, 28 de junho de 2007

Lagartixa


Você diz que sabe muito,

lagartixa sabe mais

ela anda na parede

coisa que você não faz.



[popular, Aut desc.

quinta-feira, 21 de junho de 2007

O Padre.

Um padre bobo
me disse um dia
ser um pecado
a idolatria;

E desde então
Chico Buarque
virou meu santo
de devoção.

[ricardo de oliveira

segunda-feira, 18 de junho de 2007

Que o diabo te carregue...


Como seria bom se amanhecesse um dia ensolarado, com cheiro de café recém-passado e na geladeira estivesse pregado um recado: Lamento, mas Ela é morta.
Ah...Eu daria gargalhadas, dançaria valsas sozinho, e tomaria o melhor café da manhã de minha vida, com bolo de fubá, e queijo minas. Depois sairia a assobiar e ao passar de fronte à escola de artes me matricularia para a turma de sapateado.
Eu seria, ao menos por um dia, o homem mais feliz.
Não me tenhas por um homem cruel, meu leitor, é que ela é causa única de minha infelicidade;


Já tentei esquece-la, mas Ela não deixa, parece que tem prazer em me ver sofrer...
Mulher insana, que tatuou seu nome em meu corpo, e me deixou preso a um amor impossível, então, põe-se a amar outros, a dar risadinhas e mandar recados de amor, cheios de pieguice.
O fato é que só posso ser feliz desta forma: Estando Ela morta.
Já pensei matá-la eu mesmo, mas assim não teria graça, seria trágico e as pessoas lembrariam dela de forma reticente, como se ainda vivesse;
Quero que morra de forma cômica. Foi rir e o caroço da melancia que comia enfiou-se no pulmão, ou então, não percebeu que era detergente no copo e tomou.
Também não iria ao enterro. Seria o troco pelas noites que esperei por uma ligação, pelos meus aniversários que esquecera, por todas as vezes que me fez de capacho.
E quem sabe quando anoitecesse, e eu fosse dormir, poderia carpir algumas lágrimas, afinal, agora eu era um viúvo.
[ricardo de oliveira

domingo, 17 de junho de 2007

Amanhece


(...)

Lá em baixo as poucas pessoas que caminham vão lentamente, como se não acreditassem que já é dia, e enfim teriam mais um longo dia de trabalho.
Sempre me chamou muito a atenção a diversidade de tipos de vestimentas que os transeuntes usam durante este período do dia, alguns vão em casacos, outros em pulôveres, os jovens em sua maioria seguem em mangas de camisa ou em regatas esportivas. Talvez a instabilidade do clima motive as velhinhas a carregarem sempre um guarda-chuva, que também são dos mais diversos tamanhos e cores, os maiores têm também a utilidade de bengalas, enquanto os menores só ornamentam seus braços.
Já identifiquei um padrão nas velhinhas que passam: Geralmente carregam grandes bolsas em tons escuros, que levam presas às mãos e sob o braço – creio que com medo de serem roubadas - além das bolsas sempre há o guarda-chuva e o casaquinho de lã que confere um ar que uniforme, como se fossem todas ao mesmo lugar.
[ricardo de oliveira - Eu velho S/e 2007

quinta-feira, 14 de junho de 2007

Lembrança


Busco esquecer-te:
As noites são loucas,
gritos, suor, gemidos...
E todas são você.

quinta-feira, 7 de junho de 2007

Transição


Hoje me dei conta que morri.
Não sei ao certo se literalmente morri; tenho a aguda impressão de que minha mente fenece fétida e vagarosamente, enquanto o cadáver insiste em não apodrecer.
Deixei de viver no momento em a esperança abandonou-me.
Houve um tempo em que eu tinha vontade de água, mas água não me bastava, queria mais e mais... na verdade penso que não queria água.
Hoje tenho ânsia por algo que não consigo definir.
Sinto como se estivesse um pensamento, e que subitamente me escapasse, então saio eu a abrir gavetas, armários, procurar livros, na tentativa de repensar, até que resolvo refazer meus passos... Quando percebo que não tem jeito sento-me e espero. Espero lembrar o que mesmo ia fazer quando me esqueci o que pensava.
Minha vida - ou morte - se confunde em quase todos os pontos. Já não mais consigo saber se aquela lembrança veio realmente de uma experiência vivida ou vem de algum livro que li, ou de uma história que ouvi alguém contar enquanto esperava por algo que não recordo muito bem.
Não sei ao certo se enlouqueci. Parece-me que minha mente é tão confusa quanto meus textos.
A única certeza que tenho é a de não mais viver, pois bem sei que sou morto.
[ricardo de oliveria.

domingo, 3 de junho de 2007

Alfarrábio

O que é Alfarrábio?
Alfarrábio sou eu
camafeu gripado
[de nariz ralado.



[ricardo de Oliveira

domingo, 20 de maio de 2007

ViVi


Minha bonequinha de cristal

Moras dentro do meu coração

Como uma lembrança oriental

Guardada numa caixa de charão


Vivi, linda Vivi

Dos olhos que parecem

Pintadinhos de nanquim

Vivi, não sei se eu vi

Num vaso de Xangai

Ou num quadro de Pequim


Vivi, vendo-te aqui

E como o teu tipinho

No Brasil não há?

Tu deves ter surgido

De uma ventarola

Ou de uma xícara de chá


Tens um vestidinho todo azul

Onde o crisântemo sobressai

Vendo a gente diz de norte a sul

É o retratinho azul de Butterfly


[adaptado por ricardo de oliveira de bragunha - mimi.

terça-feira, 24 de abril de 2007

Um dia...

Um dia ela partiu: partiu, mas deixou-me os lábios queimados dos seus e o coração cheio do germe de vícios que ela aí lançara. Partiu; mas sua lembrança ficou como o fantasma de um mau anjo perto de meu leito.

Quis esquecê-la no jogo, nas bebidas, na paixão dos duelos. Tornei-me um ladrão nas cartas, um homem perdido por mulheres e orgias. Um espadachim terrível e sem coração.
[álvares de azevedo]

segunda-feira, 23 de abril de 2007

Apnéia


Enchi os pulmões de ar, inutilmente esvaziei e enchi novamente - agora com um pouco mais de vigor, só pra ter certeza: Não respirava.
O tempo escorregou vagarosamente, como manteiga derretendo sobre o ferro morno; Meus pensamentos se ordenaram e numa perfeita calma pude apreciar o que, não sei por que, julguei serem meus últimos momentos.
Ao passo que um alarme iniciava sua insistente e aflita sinfonia, eu, mesmo com a vista já um pouco embaçada, acompanhava a enfermeira atravessando o quarto em seu jaleco branco – minha fantasia perfeita.
Estava morrendo? Estava feliz.
- Você pode me escutar? – repetia ela com convicção – Pode?
Claro que posso – pensava eu – escuto perfeitamente”.
Mas já não podia nem mais mover os lábios.Meus olhos agora somente notavam a claridade. Não, creio que não era a luz branca que dizem ver antes da morte, talvez fosse apenas o lustre localizado sobre meu leito.
Não respirava, já não me movia e pouco sentia.
- Pode me escutar? – dessa vez mais aflita.
Não sei por que ainda podia escutar aquela voz. O restante era silêncio, um silêncio celestial, nem mesmo meus pensamentos produziam ruídos capazes de quebrar o profundo silêncio daquele momento.
Silêncio... Eu não respirava.
Como uma implosão algo rasgou a pele de meu peito, e um gosto amargo veio em minha boca; Voltaram os alarmes e pude sentir um sopro agudo saído de dentro de um pequeno cano, a essa altura já dentro de minha garganta.
Respirava.
Ela, a enfermeira, sorria satisfeita. Missão cumprida.
Desejei profundamente voltar àquele mundo de silêncio e branquidão, depois vi que era certo; questão de tempo.
Vou ter que esperar.
[ricardo de oliveira]

Canto A Mi América

Dale tu mano al indio, dale que te hará biénencontrarás el camino como ayer yo lo encontré,dale tu mano al indio, dale que te hará biénte mojará el sudor santo de la lucha y el deber,la piel del indio te enseñará, todas las sendas que habrás deandar,manos de cobre te mostrarán, toda la sangre que has de dejar.

Dale tu mano al indio, dale que te hará biénencontrarás el camino como ayer yo lo encontré,dale tu mano al indio, dale que te hará biénte mojará el sudor santo de la lucha y el deber,la piel del indio te enseñará, todas las sendas que habrás deandar,manos de cobre te mostrarán, toda la sangre que has de dejar.Dale tu mano al indio, dale que te hará biénencontrarás el camino como ayer yo lo encontré,es el tiempo del cobre, mestizo, grito y fusilsi no se abren las puertas, el pueblo las ha de abrir,América está esperando, el siglo se vuelve azulpampas, ríos y montañas liberan su propia luz,la copla no tiene dueños, patrones no más mandarla guitarra Americana peleando aprendió a cantardale tu mano al indio, dale que te hará bién.
[ daniel viglietti] - Não faz sentido traduzir

domingo, 22 de abril de 2007

O Banheiro do shopping


Parado à porta do banheiro do shopping percebo que não estou só; A grande maioria dos esperadores é de homens, alguns jovens, outros de meia idade, com suas suaves vestimentas – roupas de ir ao shopping – somente os velhos arriscam-se a vestirem belas calças de linho com ou sem estampas, o restante usa e abusa do opaco e pasteurizado jeans americano.
Ao lado, uma família em que a mais velha, naturalmente japonesa, segura um balão cheio de hélio, com a estampa de Minney e o formato que imita as suas orelhinhas.
A música é cantada por alguns, que parecem não perceberem que cantam. Há uma espécie de transe entre os que esperam o abrir da porta do banheiro.
Cada vez que a porta se move, olhares atentos se lançam a ela, a expectativa é que de lá saia a pessoa esperada, que sempre parece demorar mais que o necessário.
[ricardo de oliveira]
Entre os homens pode-se notar que reafirmam teorias sobre o que fazem as mulheres dentro do banheiro;
Sai quem eu espero.
Vou-me embora.
Outras entram, outros esperam; A porta do banheiro do shopping nos permite sempre alguns minutos de reflexão, porém nunca uma conclusão.

sábado, 21 de abril de 2007

Longe de casa eu choro

Longe de casa eu choro e não quero nada
que fora do chão ninguém quer e não pode nada
sinto falta de São Paulo, de escutar na madrugada
uns bordões de violões e uma flauta choradada

Dor de amor não me magoa
a saudade da garoa é que me mata e eu saio pra rua
assubiando cumprido um samba comovido
que silvio caldas cantasse
e me iludo que a garoa vem molhar a minha face

mais é tanto eu choro tanto
quem me dera que hoje mesmo
eu voltasse pro chão que eu adoro
pois longe de casa eu choro e não quero nada

[eduardo gudin]

terça-feira, 17 de abril de 2007

Parto.


Parti numa manhã fria. Ainda sinto as dores que acometiam minha mente. Ia eu sentado pelo lado esquerdo da condução, o Sol batia pelo lado esquerdo também, porém não incomodava, era aquele sol triste e fraco de inverno, que ensolarava um pouco tímido, talvez compadecido com minha situação de retirante desolado.


No céu um azul profundo e cerimonioso.Dos pássaro, nenhum ousava um vôo sequer, permaneciam tensos sobre os fios na beira da estrada e apenas acompanhavam com a cabeça a condução que me levava - olhavam em especial para minha janela.

A grama seco-amarelada contrastava com o tom enegrecido da estrada e o ar não tinha cheiro algum, apenas doía ao passar gélido pelas narinas.

As pontes passaram, a estrada ficou para traz.

Parti sem sorriso, cortado pela tensão e incerteza.
Triste... Mais uma vez parto.
[ricardo de oliveira]