Um dia ela partiu: partiu, mas deixou-me os lábios queimados dos seus e o coração cheio do germe de vícios que ela aí lançara. Partiu; mas sua lembrança ficou como o fantasma de um mau anjo perto de meu leito.
Quis esquecê-la no jogo, nas bebidas, na paixão dos duelos. Tornei-me um ladrão nas cartas, um homem perdido por mulheres e orgias. Um espadachim terrível e sem coração.
[álvares de azevedo]
terça-feira, 24 de abril de 2007
segunda-feira, 23 de abril de 2007
Apnéia

Enchi os pulmões de ar, inutilmente esvaziei e enchi novamente - agora com um pouco mais de vigor, só pra ter certeza: Não respirava.
O tempo escorregou vagarosamente, como manteiga derretendo sobre o ferro morno; Meus pensamentos se ordenaram e numa perfeita calma pude apreciar o que, não sei por que, julguei serem meus últimos momentos.
Ao passo que um alarme iniciava sua insistente e aflita sinfonia, eu, mesmo com a vista já um pouco embaçada, acompanhava a enfermeira atravessando o quarto em seu jaleco branco – minha fantasia perfeita.
Estava morrendo? Estava feliz.
- Você pode me escutar? – repetia ela com convicção – Pode?
“Claro que posso – pensava eu – escuto perfeitamente”.
Mas já não podia nem mais mover os lábios.Meus olhos agora somente notavam a claridade. Não, creio que não era a luz branca que dizem ver antes da morte, talvez fosse apenas o lustre localizado sobre meu leito.
Não respirava, já não me movia e pouco sentia.
- Pode me escutar? – dessa vez mais aflita.
Não sei por que ainda podia escutar aquela voz. O restante era silêncio, um silêncio celestial, nem mesmo meus pensamentos produziam ruídos capazes de quebrar o profundo silêncio daquele momento.
Silêncio... Eu não respirava.
Como uma implosão algo rasgou a pele de meu peito, e um gosto amargo veio em minha boca; Voltaram os alarmes e pude sentir um sopro agudo saído de dentro de um pequeno cano, a essa altura já dentro de minha garganta.
Respirava.
Ela, a enfermeira, sorria satisfeita. Missão cumprida.
Desejei profundamente voltar àquele mundo de silêncio e branquidão, depois vi que era certo; questão de tempo.
Vou ter que esperar.
O tempo escorregou vagarosamente, como manteiga derretendo sobre o ferro morno; Meus pensamentos se ordenaram e numa perfeita calma pude apreciar o que, não sei por que, julguei serem meus últimos momentos.
Ao passo que um alarme iniciava sua insistente e aflita sinfonia, eu, mesmo com a vista já um pouco embaçada, acompanhava a enfermeira atravessando o quarto em seu jaleco branco – minha fantasia perfeita.
Estava morrendo? Estava feliz.
- Você pode me escutar? – repetia ela com convicção – Pode?
“Claro que posso – pensava eu – escuto perfeitamente”.
Mas já não podia nem mais mover os lábios.Meus olhos agora somente notavam a claridade. Não, creio que não era a luz branca que dizem ver antes da morte, talvez fosse apenas o lustre localizado sobre meu leito.
Não respirava, já não me movia e pouco sentia.
- Pode me escutar? – dessa vez mais aflita.
Não sei por que ainda podia escutar aquela voz. O restante era silêncio, um silêncio celestial, nem mesmo meus pensamentos produziam ruídos capazes de quebrar o profundo silêncio daquele momento.
Silêncio... Eu não respirava.
Como uma implosão algo rasgou a pele de meu peito, e um gosto amargo veio em minha boca; Voltaram os alarmes e pude sentir um sopro agudo saído de dentro de um pequeno cano, a essa altura já dentro de minha garganta.
Respirava.
Ela, a enfermeira, sorria satisfeita. Missão cumprida.
Desejei profundamente voltar àquele mundo de silêncio e branquidão, depois vi que era certo; questão de tempo.
Vou ter que esperar.
[ricardo de oliveira]
Canto A Mi América
Dale tu mano al indio, dale que te hará biénencontrarás el camino como ayer yo lo encontré,dale tu mano al indio, dale que te hará biénte mojará el sudor santo de la lucha y el deber,la piel del indio te enseñará, todas las sendas que habrás deandar,manos de cobre te mostrarán, toda la sangre que has de dejar.
Dale tu mano al indio, dale que te hará biénencontrarás el camino como ayer yo lo encontré,dale tu mano al indio, dale que te hará biénte mojará el sudor santo de la lucha y el deber,la piel del indio te enseñará, todas las sendas que habrás deandar,manos de cobre te mostrarán, toda la sangre que has de dejar.Dale tu mano al indio, dale que te hará biénencontrarás el camino como ayer yo lo encontré,es el tiempo del cobre, mestizo, grito y fusilsi no se abren las puertas, el pueblo las ha de abrir,América está esperando, el siglo se vuelve azulpampas, ríos y montañas liberan su propia luz,la copla no tiene dueños, patrones no más mandarla guitarra Americana peleando aprendió a cantardale tu mano al indio, dale que te hará bién.
[ daniel viglietti] - Não faz sentido traduzir
Dale tu mano al indio, dale que te hará biénencontrarás el camino como ayer yo lo encontré,dale tu mano al indio, dale que te hará biénte mojará el sudor santo de la lucha y el deber,la piel del indio te enseñará, todas las sendas que habrás deandar,manos de cobre te mostrarán, toda la sangre que has de dejar.Dale tu mano al indio, dale que te hará biénencontrarás el camino como ayer yo lo encontré,es el tiempo del cobre, mestizo, grito y fusilsi no se abren las puertas, el pueblo las ha de abrir,América está esperando, el siglo se vuelve azulpampas, ríos y montañas liberan su propia luz,la copla no tiene dueños, patrones no más mandarla guitarra Americana peleando aprendió a cantardale tu mano al indio, dale que te hará bién.
[ daniel viglietti] - Não faz sentido traduzir
domingo, 22 de abril de 2007
O Banheiro do shopping

Parado à porta do banheiro do shopping percebo que não estou só; A grande maioria dos esperadores é de homens, alguns jovens, outros de meia idade, com suas suaves vestimentas – roupas de ir ao shopping – somente os velhos arriscam-se a vestirem belas calças de linho com ou sem estampas, o restante usa e abusa do opaco e pasteurizado jeans americano.
Ao lado, uma família em que a mais velha, naturalmente japonesa, segura um balão cheio de hélio, com a estampa de Minney e o formato que imita as suas orelhinhas.
A música é cantada por alguns, que parecem não perceberem que cantam. Há uma espécie de transe entre os que esperam o abrir da porta do banheiro.
Cada vez que a porta se move, olhares atentos se lançam a ela, a expectativa é que de lá saia a pessoa esperada, que sempre parece demorar mais que o necessário.
Ao lado, uma família em que a mais velha, naturalmente japonesa, segura um balão cheio de hélio, com a estampa de Minney e o formato que imita as suas orelhinhas.
A música é cantada por alguns, que parecem não perceberem que cantam. Há uma espécie de transe entre os que esperam o abrir da porta do banheiro.
Cada vez que a porta se move, olhares atentos se lançam a ela, a expectativa é que de lá saia a pessoa esperada, que sempre parece demorar mais que o necessário.
[ricardo de oliveira]
Entre os homens pode-se notar que reafirmam teorias sobre o que fazem as mulheres dentro do banheiro;
Sai quem eu espero.
Vou-me embora.
Outras entram, outros esperam; A porta do banheiro do shopping nos permite sempre alguns minutos de reflexão, porém nunca uma conclusão.
Entre os homens pode-se notar que reafirmam teorias sobre o que fazem as mulheres dentro do banheiro;
Sai quem eu espero.
Vou-me embora.
Outras entram, outros esperam; A porta do banheiro do shopping nos permite sempre alguns minutos de reflexão, porém nunca uma conclusão.
sábado, 21 de abril de 2007
Longe de casa eu choro
Longe de casa eu choro e não quero nada
que fora do chão ninguém quer e não pode nada
sinto falta de São Paulo, de escutar na madrugada
uns bordões de violões e uma flauta choradada
Dor de amor não me magoa
a saudade da garoa é que me mata e eu saio pra rua
assubiando cumprido um samba comovido
que silvio caldas cantasse
e me iludo que a garoa vem molhar a minha face
mais é tanto eu choro tanto
quem me dera que hoje mesmo
eu voltasse pro chão que eu adoro
pois longe de casa eu choro e não quero nada
[eduardo gudin]
que fora do chão ninguém quer e não pode nada
sinto falta de São Paulo, de escutar na madrugada
uns bordões de violões e uma flauta choradada
Dor de amor não me magoa
a saudade da garoa é que me mata e eu saio pra rua
assubiando cumprido um samba comovido
que silvio caldas cantasse
e me iludo que a garoa vem molhar a minha face
mais é tanto eu choro tanto
quem me dera que hoje mesmo
eu voltasse pro chão que eu adoro
pois longe de casa eu choro e não quero nada
[eduardo gudin]
terça-feira, 17 de abril de 2007
Parto.
Parti numa manhã fria. Ainda sinto as dores que acometiam minha mente. Ia eu sentado pelo lado esquerdo da condução, o Sol batia pelo lado esquerdo também, porém não incomodava, era aquele sol triste e fraco de inverno, que ensolarava um pouco tímido, talvez compadecido com minha situação de retirante desolado.
No céu um azul profundo e cerimonioso.Dos pássaro, nenhum ousava um vôo sequer, permaneciam tensos sobre os fios na beira da estrada e apenas acompanhavam com a cabeça a condução que me levava - olhavam em especial para minha janela.
A grama seco-amarelada contrastava com o tom enegrecido da estrada e o ar não tinha cheiro algum, apenas doía ao passar gélido pelas narinas.
As pontes passaram, a estrada ficou para traz.
Parti sem sorriso, cortado pela tensão e incerteza.
Triste... Mais uma vez parto.
Triste... Mais uma vez parto.
[ricardo de oliveira]
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