domingo, 17 de junho de 2007

Amanhece


(...)

Lá em baixo as poucas pessoas que caminham vão lentamente, como se não acreditassem que já é dia, e enfim teriam mais um longo dia de trabalho.
Sempre me chamou muito a atenção a diversidade de tipos de vestimentas que os transeuntes usam durante este período do dia, alguns vão em casacos, outros em pulôveres, os jovens em sua maioria seguem em mangas de camisa ou em regatas esportivas. Talvez a instabilidade do clima motive as velhinhas a carregarem sempre um guarda-chuva, que também são dos mais diversos tamanhos e cores, os maiores têm também a utilidade de bengalas, enquanto os menores só ornamentam seus braços.
Já identifiquei um padrão nas velhinhas que passam: Geralmente carregam grandes bolsas em tons escuros, que levam presas às mãos e sob o braço – creio que com medo de serem roubadas - além das bolsas sempre há o guarda-chuva e o casaquinho de lã que confere um ar que uniforme, como se fossem todas ao mesmo lugar.
[ricardo de oliveira - Eu velho S/e 2007

Um comentário:

Rafael disse...

Entenda, meu caro: as velhinhas são de fato todas iguais. Mudam-se o endereço, a cor das vestimentas e, em alguns casos, o grau do óculos, mais nada. E ainda assim, nenhuma delas enxerga nada ^^'

Achei que a históra era contada por um velho interessado nas velhinhas passantes - sem-vergonha!

Belo texto!